"Quanto custa migrar para a AWS?" é a primeira pergunta de quase todo gerente de TI que começa a avaliar a nuvem. A resposta honesta é: depende. Mas depende de fatores bem conhecidos, e entender cada um deles é o que separa um orçamento realista de uma surpresa no meio do projeto.
Neste artigo, explicamos o que entra na conta de uma migração e o que define quanto você vai pagar depois que ela terminar.
Dois custos diferentes: migrar e operar
É comum misturar as duas coisas, mas elas são distintas:
- Custo de migração: o projeto em si. Inventário, planejamento, construção do ambiente na AWS, transferência de dados, testes e virada.
- Custo de operação: quanto você paga todo mês para rodar o ambiente na AWS depois da migração.
Um bom planejamento olha para os dois. Uma migração barata que gera uma conta mensal alta não é um bom negócio.
O que define o custo da migração
1. O tamanho e a complexidade do inventário
Quantos servidores, bancos de dados e aplicações existem? Como eles se conectam? Um ambiente com 10 servidores bem documentados é muito diferente de um com 80 servidores e dependências que ninguém mapeou. Por isso todo projeto sério começa pelo inventário.
2. A estratégia escolhida para cada carga
Nem tudo deve ser migrado do mesmo jeito. As abordagens mais comuns são:
- Rehost (lift-and-shift): levar o servidor como está, para instâncias EC2. É mais rápido e mais barato no projeto, mas nem sempre o mais barato para operar.
- Replatform: fazer ajustes pontuais, como trocar um banco instalado em servidor por um banco gerenciado no Amazon RDS.
- Refactor: reescrever partes da aplicação para aproveitar serviços nativos, como AWS Lambda, Amazon ECS ou Amazon S3. Custa mais no projeto, mas costuma reduzir bastante o custo de operação.
- Aposentar: desligar o que não é mais usado. Quase todo inventário tem algo nessa categoria.
A escolha certa é feita carga por carga, não para o ambiente inteiro.
3. Licenças
Sistemas Windows, SQL Server e outros softwares licenciados pesam na conta. Em alguns casos, é possível levar licenças que você já tem; em outros, vale usar o modelo com licença incluída ou trocar por alternativas de código aberto. Essa análise sozinha pode mudar bastante o orçamento.
4. O volume de dados
Transferir alguns gigabytes é simples. Transferir dezenas de terabytes exige planejamento: janela de transferência, sincronização contínua para não parar a operação (com ferramentas como o AWS DataSync ou o AWS Database Migration Service) e, em casos extremos, transporte físico de discos com o AWS Snowball.
5. O período de operação em paralelo
Durante a migração, o ambiente antigo e o novo funcionam ao mesmo tempo. Quanto mais longo esse período, maior o custo duplicado. Um bom plano de virada encurta essa fase.
6. Segurança e governança desde o primeiro dia
Contas organizadas, controle de acesso, criptografia, backup e monitoramento precisam ser configurados antes das cargas chegarem. Deixar isso para depois parece economia, mas costuma sair mais caro.
O que define o custo de operação
Depois da migração, a conta mensal da AWS depende principalmente de:
- Dimensionamento: servidores locais costumam ser superdimensionados, porque foram comprados pensando no pico de daqui a cinco anos. Copiar esse tamanho para a AWS é um dos erros mais caros. Na nuvem, o certo é dimensionar pelo uso real e ajustar com o tempo.
- Modelo de compra: pagar por uso sem compromisso é flexível, mas mais caro. Compromissos de uso de um ou três anos, como os Savings Plans, reduzem bastante o preço das cargas estáveis.
- Armazenamento: dados acessados raramente podem ir para classes de armazenamento mais baratas do Amazon S3.
- Transferência de dados: tráfego saindo da AWS tem custo e precisa estar no planejamento.
- Região: os preços variam entre regiões da AWS. A região de São Paulo costuma ser mais cara que as dos Estados Unidos, mas pode ser a escolha certa por latência ou exigência de manter os dados no Brasil.
Como chegar a um número
O caminho para um orçamento confiável tem três passos:
- Inventariar o ambiente atual com dados reais de uso, não só a configuração dos servidores.
- Definir a estratégia de cada carga: o que migra como está, o que moderniza e o que desliga.
- Simular o custo de operação. A própria AWS oferece ferramentas como a AWS Pricing Calculator e o Migration Evaluator.
Com isso em mãos, é possível comparar com clareza quanto custa hoje manter o ambiente atual e quanto custaria na AWS.
Conclusão
Migrar para a AWS não é caro nem barato por natureza. É uma decisão que fica boa ou ruim dependendo de como é planejada. Inventário bem feito, estratégia por carga e dimensionamento pelo uso real são o que fazem a migração se pagar.
Quer entender como esses fatores se aplicam ao seu ambiente? Fale com a HitCode, Consultoria AWS Sênior.
